Quando começamos a tocar profissionalmente temos o ânimo de uma orquestra sinfônica e com o tempo perdemos um pouco a empolgação e acabamos nos comportando como um piano solo.
Essa frase é meio que uma adaptação de uma velha piada do meio musical que diz: ”Na hora de tocar é um conjuntinho, mas, na hora de comer é uma orquestra sinfônica!” e retrata uma realidade do músico de uma maneira geral.
Quando começamos a tocar levamos todo nosso equipamento montamos sem medir esforços e tocamos essencialmente por prazer e vontade de crescer. Com o tempo e o dia a dia da sonorização “cansada” dos bares e casas de show, a falta de preparo e informação de muitos técnicos de som, aliadas aos cachês ridículos e a falta projeção nos faz céticos quanto à passagem de som e aos resultados palpáveis da nossa gig de cada dia.
Penso que o tipo e a qualidade do trabalho vão ditar nossa postura em relação ao equipamento empreendido. Geralmente em gravações procuro levar o equipamento necessário de acordo com o estilo e várias possibilidades de timbres de caixas e pratos para ter uma abrangência legal.
De acordo com estilo levo um set up de medidas maiores, mais graves e mais rock and roll. E às vezes somos surpreendidos com pedidos do tipo: ”Cara você tem um bumbo de 18 polegadas pra levar?”
No estúdio esse dilema é minimizado, pois além de ser um ambiente controlado, geralmente proporciona mais prazer e contentamento musical, mas em situações “ao vivo” a logística e a nossa real vontade de estar ali pesam mais e nos fazem reavaliar nosso set up.
Por exemplo: se vou de sub em um trabalho numa casa noturna que terá uma banda antes e o lance é chegar e tocar, o negócio é facilitar pra todos e somente levar os acessórios básicos e indispensáveis, trocar os pratos se arrumar na bateria e “mandar bala”!
Nessas situações não devemos “girar a lâmpada” e causar atrasos e “saias justas”, a menos que o equipamento esteja te impossibilitando de tocar com decência.
Mas em situações em que temos um bom equipamento de sonorização, um bom técnico e tempo pra passar o som nada melhor do que levar seu próprio instrumento.
Estudamos com um instrumento e quando tocamos muitas vezes usamos o que tiver à disposição, tendo que nos adaptar às distâncias entre as peças e à resposta das peles nos tambores. Cada combinação de pele e afinação muda nosso aproach em relação aos toques.
Parece “balela” mais é a mais pura verdade: com o nosso instrumento é sempre melhor! Experimente trocar a guitarra de um músico minutos antes dele entrar em cena e lhe dê outra com regulagem totalmente diferente da que ele é acostumado. Ele com certeza renderá um terço do poderia!
Com a bateria é a mesma idéia, mas, geralmente devido ao tamanho e à dificuldade natural da logística do instrumento muitas casas de shows e estúdio têm suas próprias baterias, o que em parte nos facilita a vida, mas de certo modo também nos atrapalha.
Enfim, temos que mais uma vez ter o bom senso de perceber em quais situações devemos empreender e em quais relaxar e facilitar.
Leve em consideração não somente o cachê, mas também o crescimento musical, o bom relacionamento e a projeção que o “evento” pode te proporcionar, seja ele um show, uma gravação ou um “sub” em cima da hora.