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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Percebo e sinto no Meio Musical - Publicado na Revista Modern Drummer Brasil de Dezembro de 2014

Percebo e sinto mais hoje do que quando comecei a tocar e me relacionar com a música e com os músicos, a aproximadamente vinte e cinco anos. Percebo muito mais acesso à informação com as redes sociais e a multiplicidade de publicações do mercado dos livros didáticos, e sinto o nivelamento das idéias sem originalidade. Percebo mais acesso à instrumentos bons e, quase que numa proporção inversa, sinto e vejo as dificuldades em termos instrumentos sem que tenhamos que penhorar nossas almas para tanto.
Percebo o aumento do número de escolas e professores e sinto o abismo didático vendo alguns frutos. Percebo o aumento de programas musicais e reality shows na tv e sinto a vontade de muitos de cantar como norte americanos das igrejas. Percebo cantores e músicos querendo desesperadamente seu quinhão de fama e sinto que falta amadurecimento e um mínimo de conhecimento e amor à música e à cultura brasileira. Percebo muita altivez e pouco respeito e sinto cólera.
Percebo jovens crescendo como artistas e sinto que deveriam respeitar os que já trilharam o mesmo caminho e de certa maneira abriram portas direta e indiretamente. Percebo “bairrismo” cultural e sinto que isso é da imaturidade. Percebo insegurança e sinto que falta um empurrãozinho(quando isso me cabe eu dou!). Percebo má fé de artistas e sinto muita irritação. Percebo muitas cobranças de um lado e sinto contrapartidas aquém das cobranças. Percebo muitas exigências do outro lado e contrapartidas também aquém das exigências. Percebo escesso de críticas em relação aos trabalhos dos outros e sinto que falta fazer o próprio antes de qualquer coisa. Percebo anseios por endorsements e sinto que o preço ainda não foi pago. Percebo a vontade de ter antes de ser ou merecer e sinto que é abjeta.
 Mas percebo e sinto que independentemente do relativismo cultural ao qual estamos diariamente expostos e cercados, a música boa permanece e os bem pensantes se encontram e celebram. Percebo os círculos e caminhos para a boa música se fechando e dependendo cada vez mais de leis, e sinto entretanto a perseverança. Percebo amizade e alegria em tocar e sinto vontade de estar junto. Percebo seriedade na profissão e sinto orgulho alheio.
No meu mundo percebo caminhos e saídas apesar dos trancos , e sinto que ainda preciso aprender e empreender mais. Percebo e sinto.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os Códigos




É necessário estudar música e procurar entender seus códigos. Seja em um instituição de ensino ou de modo particular.
A música é habitada por uma grande maioria de leigos, amadores e pessoas que se utilizam da música como diversão, terapia, meio de vida,  relaxamento ou coisas parecidas.
Absolutamente nada contra essas práticas mas nós profissionais devemos estudá-la com respeito e dedicação a fim de perceber os meandros e caminhos por onde ela pode nos levar.
É compreensível mas  extremamente irritante a ignorância de alguns artistas e músicos perante conceitos e termos básicos usados diariamente em nosso cotidiano de shows, gravações e ensaios e que, DEVERIAM, ser minimamente entendidos e empregados com muita naturalidade.
Não é suportável um cantor(a) não saber se expressar em ralação a um andamento que a banda pratica e que difere do seu “click” interno. Não saber dizer:” Gente, eu sinto essa música mais lenta. Poderíamos tocá-la mais para trás?”.
Se enrrolar com as palavras e dizer, simplesmente porque aprendeu isso em alguma situação, “Gente, tá correndo” é de uma falta de percepção e respeito pela música e pelos músicos inacreditável e infelizmente bem real e corriqueira.
Cantores não saberem seus tons nas músicas. Caramba! Aprenda um “violãozinho” básico e saiba tirar seus tom né!
Músicos não saberem o básico da escrita  musical e terem que criar e escrever seus próprios códigos, inteligíveis somente à  sim mesmos e olhe lá!
Deveriam criar o curso livre e remunerado intitulado “Musicalização para Cantores e afins”. E me auto satirizando e percebendo a triste realidade: nem assim conseguiriam fechar uma turma!!
( foto "emprestada da net..rs"

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mais 15 coisas que me irritam muito!!!




Excesso de “marquetinho”;
Pessoas que postam videos de auto promoção no seu perfil e pedem pra comentar;
Pessoas mudarem de sotaque de acordo com a conveniência;
Perder hora pra um compromisso;
Ficar parado no trânsito;
O Ego exacerbado;
Pessoas que se fazem de mortos pra “pegar” o coveiro;
Só perceber o erro depois da burrada feita;
Shows a fazer que coincidem no mesmo dia, sendo que um  antes e um depois não se tem nada;
Não ter um clone pra fazer os dois shows;
O eterno discurso mentiroso na propaganda política;
O controle mental que as grandes emissoras de tv empregam sobre as massas;
Técnicos de som que querem dar “pitacos” musicais sem a menor propriedade;
Falta de critério do marketing das marcas e importadoras de instrumentos musicais na escolha e relacionamento com os endorsers;
Ter que conversar quando se quer ficar em silêncio.
Realmente estou ficando velho e começo a ver semelhanças entre mim e o Seu Lunga!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

15 Coisas que me irritam muito!!



Cachês que atrasam;
Produtores que querem te “dar o cano”;
Shows que “caem” em cima da hora;
Janeiro com poucos shows;
Carnaval interminável;
Big Brother;
“Endeusamento” do Michel Teló por parte da mídia estúpida;
Cantores(as) que não sabem se expressar ao se direcionarem a um músico;
Artistas evangélicos safados que queimam o filme da geral;
Produtores musicais que, completamente sem noção e razão, querem “crescer “ em cima de você;
O preço dos equipamentos musicais aqui no Brasil;
Vendedores que dizem:”Olha, te dou esse desconto, mas é porque é pra você!”;
Pessoas que acham que porque você é músico trabalha menos do que os demais;
Quando marcam um horário com você e todos chegam uma hora atrasados;
Produtores musicais imcompetentes.

    Bom essa é a primeira parte das coisas que me irritam. 
    Não necessariamente por ordem de “irritabilidade”. 
    Acho que estou ficando velho antes da hora!!rs

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Relações Cotidianas prt 3


Numa situação exatamente contrária à do post antecedente a esse, quando um arranjador respeita e “compra nossa voz”, valoriza e acredita em nosso potencial, o rendimento e o resultado final é sempre melhor.
Estou participando de uma banda de apoio para um grande evento que acontecerá no Rio, no qual acompanharemos seis grandes cantoras da MPB. Com arranjos transcritos e com uma nova banda nossa missão é executar 23 músicas de maneira eficiente e que não deixe saudades da antiga banda.
Sete músicos foram contactados contando com sua boa leitura e um certo grau de versatilidade é exigido. A função do arranjador nesse caso é executar arranjos já criados e fazê-los soar da melhor maneira possível com uma formação um pouco menor.
Cabe a ele nos cobrar uma resposta rápida com alto nível musical. Ele conhece os músicos que contactou. Confia nessa resposta e sabe cobra-la de nós, mas nos respeita a ponto de encarar possíveis “achismos” e possíveis “viagens” dos cantoras envolvidos.
Agindo assim ele cria o clima perfeito para o melhor resultado.

domingo, 2 de outubro de 2011

Relações Cotidianas prt 2

Num projeto musical onde somos representados por um arranjador perante o produtor/empresário, tal atitude deve ser de mediação e de certo modo de defesa dos interesses musicais e “trabalhistas” se assim pudermos nos referir às condições informais e de bom senso com as quais nos relacionamos.
Devemos entender que por vezes o arranjador fica entre a cruz e a espada traduzindo questões entre os dois lados: o de quem paga e quer resultados e o de quem executa e necessita de condições para tal.
Às vezes atitudes de certo “puxasaquismo” , com o perdão do neologismo, me irritam e confesso que busco energia nas contas a pagar e compromissos financeiros assumidos para realizar de maneira eficaz e profissional o que me proponho a fazer.
Atitudes como querer agradar o artista e “crescer” em cima dos músicos para manter-se “por cima” me tiram do sério.
Com músicos sérios e comprometidos com o resultado e a satisfação dos envolvidos basta esclarecer os pontos e cobrar musicalmente o proposto. Em muitos casos “comprar” a dos músicos é saber se relacionar bem e chegar no melhor resultado.
Aceitar demais as viagens dos artistas e entrar nas “viagens non sense” somente mostra a falta de personalidade do arranjador.
O instrumentista respeita muito mais o arranjador que por vezes mostra a idéia e a afirma contundentemente do que aquele que muda instantaneamente para agradar e rebaixa sua idéia e conceito por um capricho à toa.
Mas enfim , existem artistas e artistas, músicos e músicos, arranjadores e arranjadores.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Relações Cotidianas



Nosso meio é banhado em relações cotidianas de respeito, amizade ou a falta das mesmas. Tais relações coexistem e diariamente se resvalam em diversas situações às quais nos submetemos.
Recentemente passei por uma situação dessas. Eu e outro músico amigo topamos fazer um trabalho de um outro amigo em comum. As condições eram claras : sem cachês, muitos ensaios e uma cobrança natural para um som difícil e que exigia entrosamento.
Ensaiamos, levantamos o show e tocamos por duas ou três vezes. Passado breve um tempo tivemos a singela notícia via internet de que o amigo estaria fazendo uma sequência de shows no Sesc, com cachês garantidos e uma estrutura bem melhor da que eu e esse outro músico enfrentamos um tempo atrás, mas com outros músicos.
Uma atitude básica de bom senso existe em nosso meio: a de quê se comemos o pão amassado juntos e prol de alguém, naturalmente esperamos que quando venha o Filé com Molho Madeira sejamos convidados por esse alguém a dividir também.
Não ponho aqui em questão a liberdade das pessoas escolherem o melhor músico ou pessoa para terem em seus trabalhos, mas a atitude de voltar e retribuir a ajuda não remunerada para a produção do seu trabalho é bastante digna e louvável.
É claro que não assinamos nenhum contrato de exclusividade para nenhuma das partes, mas eu realmente esperava uma atitude diferente, principalmente vindo de um amigo.
É apenas um desabafo mas que pode nos fazer pensar nessas relações de convivência e respeito nesse nosso mundo cão.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Músicos e Técnicos de Som



 Cada vez mais me convenço de que o técnico de som é como  mais um membro da banda. Expressões como “o quinto Beatle” quando se referem ao produtor George Martin, ou coisas do tipo fazem cada vez mais sentido para mim.
Numa banda a função do técnico de som é crucial. Tanto o técnico de monitor como o de PA fazem o som acontecer ou se acabar em pouco tempo.
O técnico pode derrubar seu som ou elevá-lo com muita categoria num simples mover de fades. É ele quem faz a mix do som para plateia e para quem está no palco tocando. Quando estamos tocando e sabemos pedir sua função fica facilitada e mais facilmente chegamos no ponto certo. É claro que isso também depende do equipamento usado e da boa vontade da figura atrás da mesa de som.
Nesse caso o bom senso e o bom relacionamento entre equipe técnica, produção, artista e músicos é fundamental. Devem existir uma boas condições de trabalho e relacionamento para que esse “clima” de respeito, interação  e positividade se estabeleça. Mas uma vez isso acontecendo os resultados serão sempre bons e agradáveis.
No meu modo de ver a “porca toce o rabo” quando vamos para o PA.
Pouco entendo dessa área e espero aprender mais até para poder interagir melhor e saber pedir e analisar meu som claramente, mas definitivamente estamos nas mãos dos técnicos. Eles podem facilmente e talvez por falta de interação com o som da banda ou artista, deixar o som do seu instrumento opaco, sem brilho e e até escondido na massa sonora das grandes caixas em frente ao palco.
Se sua mix for ruim e deixar de “pintar” um instrumento como deveria, o arranjo já fica comprometido. É claro que quase nunca lidamos com ouvintes exigentes ou apreciadores de boa música. Muitas vezes as pessoas estão lá apenas para se divertir e está tudo certo com isso. O fato é que do palco imaginamos o som de um jeito, tocamos imaginando como estará saindo lá na frente. E isso definitivamente fica nas mãos do técnico de som.
Esse fato pode ser minimizado quando o produtor musical não é também um músico na banda ou quando o produtor geral também tem essa noção da sonoridade em questão.
Saber que às vezes somos fantoches nas mãos dos técnicos e que questões musicais são submetidas à postura de alguns profissionais que apenas parecem “bater o cartão” realmente irrita.
Todos temos momentos de “bater cartão” mas o mínimo de interação deve existir.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Pra que complicar?


 
Partituras servem para nos ajudar a transmitir o sentimentos e códigos de uma música ali escrita. O problema é que muitas das vezes em que gravamos as partituras nos causam irritacões e atrasos.
Em estúdio tudo teoricamente deve conspirar para uma fácil e rápida resolução, e nisso as partituras são, senão o principal mas uns dos mais importantes fatores pra tal.
O probema é que às vezes elas vem tão mal escritas, xerocadas ou explicadas que mais atrapalham do que ajudam.
Para bateria normalmente nos apresentam partituras de base, com acordes e frases e ataques por cima.
Absolutamente nada contra isso! Até prefiro assim a ter que contra 80 compassos e fazer um “ataque” isolado na música. Mas para se tornar um veículo de facilitaçåo deve ser “limpa” sem informações demasiadas e, se feita à mão, deve ao menos conter o mesmo número de compassos em cada linha, pois tal regularidade facilita e padroniza em nossa mente que após por exemplo, oito compassos, iniciaremos uma nova parte da música e etc. A visualização métrica ajuda e muito.
Posicionar corretamente  e de maneira inteligente as voltas, casas e demais sinais na partitura também nos poupam folhas demais na estante e nos conduzem fluidamente pra uma boa performance.
Infelizmente nem sempre as “partes” são assim. E algumas vezes o arranjos se tornam “erranjos” e atrasam as gravinas.
Sempre daremos um jeito , até mesmo “lendo” de ouvido!
Mas pra que complicar né?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pitacos alheios



 Uma outra situação extremamente irritante ocorre quando o técnico de som desinformado se atreve a “pitaquear” no arranjo. Nada contra isso, desde que tenha fundamento e que seja feito com propriedade. Mas quando ele para de gravar no meio da musica e, por conta própria diz: ”cara, vamos fazer a boa?” .
Nada contra refazer, mas desde que realmente não esteja bom, ou que não seja a concepção certa, ou enfim, desde que o produtor me peça!
Realmente não me importo com isso. Muitas vezes é refazendo que se chega ao resultado que o arranjador imagina. Mas parar a gravação sem ter critério é complicado.
Quando o técnico é também músico a gravação flui ainda melhor, pois as paradas, partes das músicas e os pontos de emenda estão debaixo dos dedos. O conhecimento musical do técnico filtra a vontade de pitaquear à toa.
E acho que o que mais me deixa “tíizico” é perder tempo à toa.Gravar com calma, ouvindo bem as coisas,repensando o arranjo é uma coisa, perde tempo com motivos extras me faz envelhecer cinco anos em cada sessão.
Devo parecer chato, mas de repente sou mesmo! Mas objetividade é fundamental!
Chegar no estúdio e saber o que se tem pra gravar, com partituras organizadas, ou ao menos um arranjador que sabe o que quer e sabe transmitir suas idéias, encontrar equipamentos que funcionem e ter um bom técnico . Tudo isso somado a um clima bom e um produtor que não te dê calotes. Não tem preço!
Às vezes acho que isso é querer demais.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Irritabilidades

Existem coisas que realmente irritam dentro de um contexto de gravação. Muitas delas poderiam ser inseridas no fictício “Hall das Situações Normais em um Estúdio”, mas muitas vezes e talvez devido a certa experiência que vamos adquirindo com a vida, nos irrite um pouco.

Uma delas ocorre quando o arranjador, provido de bom senso e animosidade começa a tocar a música para que os músicos ouçam e já sintam o clima do arranjo e do contexto musical. Sugerindo com isso que o arranjo, de base, não estaria fechado e já esperando idéias para a elaboração do mesmo e um dos músicos, talvez pela pouca experiência ou a falta da mesma, começa a cantarolar possíveis idéias, que não são de base, simultaneamente ao arranjador. Sua voz se torna mais alta do que a do arranjador e acaba atrapalhando os outros músicos que tentam ouvir e colaborar com idéias, tendo como base referências sugeridas e principalmente aquela “tocada” do momento.

A educação e os bons modos nos impedem de dizer: “Porra, cala a boca e ouve!”.

E assim fazemos de conta que os nervos estão frouxos e a aventura continua....